No início de julho, houve um novo episódio da série guerra comercial – diminuir o déficit dos EUA com o resto do mundo.
Dessa vez, Trump sancionou 14 países com novas tarifas, alguns receberam tarifas significativamente maiores, como é o caso do Brasil, que levou 50% em produtos importados pelos EUA.
O que antes era cobrado tarifa de 25% sobre aço e alumínio e outra de 10% sobre as compras do Brasil, se a lei for implementada em 1º de agosto, passará a ser 50%.

Donald Trump, se resguardando do direito de se manter no domínio da situação, sabendo pode haver contrapartida, deixou avisado que não aceitaria nenhum aumento como resposta de nenhum país.
Lula, embora mais fraco do que nunca, se antecipou e resolveu peitar o presidente dos EUA, aprovou em abril a Lei de Reciprocidade Econômica, que permite que o Brasil use critérios proporcionais em resposta a aplicação de efeito jurídico, ou seja, o Brasil pode devolver as mesmas condições que os Estados Unidos deram a nós, aplicar 50% a produtos americanos.
A reação de Lula, veio antes mesmo da confirmação de que a medida aconteceria de fato. Hoje, o Brasil, embora tenha pouca relação comercial com o mundo, os EUA são o segundo maior parceiro do Brasil, importam commodities e tecnologia, o que dá um total de 2% do PIB.
A diplomacia brasileira pede cautela
Um custo como esse, sem iniciativa de amenizar o prejuízo pelo governo brasileiro, traria um excedente a cadeia produtiva no que tange o comércio entre os dois países, prejudicaria enormemente a economia interna, tornando o Brasil “inviável”, com perda de investimento e fuga de capitais, além de fazer as classes mais pobres, pequenos produtores, arcarem com maiores custos de produtos básicos, como disse o professor da FGV Daniel Vargas.

Calça Sarja Masculina Polo Wear
Sarja de alta qualidade: 98% Algodão 2% Elastano.* Bolsos embutidos, costura reforçada, passador de Cinta mais largo – conferindo praticidade e estilo ao look
O Itamaraty declarou que, do ponto de vista diplomático, Lula se expor precocemente, antes da medida ser implementada pelo governo americano, é vista como um erro.
O correto, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, seria haver um entendimento dos setores mais afetados pela possível medida e se posicionar de maneira que os proteja.
Trump, logo disse que gostaria conversar com Lula, que por sua vez, falou que até conversaria, mas num tom não muito amistoso, disse que “não aceitará interferência americana” na sua carta resposta.
Sabemos do discurso antiamericano de Lula, essa retórica já está presente em sua fala há anos. Agora, vemos as consequências disso”, avalia o escritor Francisco Escorsim, que complementa, “Essa postura no terceiro mandato é ainda mais enfática do que nos governos anteriores. Lula pretendia construir um legado histórico com viés ideológico mais marcado”.
Leia aqui : Trump intensifica guerra comercial com tarifas sobre 14 nações e alerta contra retaliação.
As três opções
O governo brasileiro tem 3 possibilidades nesse momento:
- Sentar à mesa e negociar com os americanos;
- Encaminhar a questão à Justiça ao acionar a OMC – Organização Mundial do Comércio, que protege países de tarifas discriminatórias.
- Desafiar os EUA e aplicar os mesmos 50% através da Lei de Reciprocidade Econômica.
Diplomatas concluíram dizendo que a OMC não teria como intervir em divergências comerciais de outros países.
O impasse não está nas regras, mas nas cadeiras vazias. Ao se recusarem a indicar novos juízes para as cadeiras vagas, os Estados Unidos paralisaram, na prática, o órgão de solução de controvérsias da OMC — paralizando sua atuação e tornando quase impossível que novas disputas avancem.
O saldo da balança comercial
A carta enviada ao Brasil, falando sobre os 50% de tarifas, parecia mais um “copia e cola” de cartas enviadas a outros países. Falava sobre o déficit que possui com o Brasil no comércio internacional, o que não procede.
O Brasil teve um déficit de bens e serviços de mais de 400 bilhões de dólares dos Estados Unidos de 2010 a 2024. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), informou que em 2024, os EUA exportaram US$ 49,7 bilhões ao Brasil, enquanto importaram US$ 42,3 bilhões, resultando em um superávit para os EUA. O que não justificaria as tarifas.
Essa medida seria injusta em relação ao Brasil e, além disso, prejudica a própria economia dos Estados Unidos, pois há uma forte integração comercial entre os dois países.
O Brasil é o terceiro maior comprador de carvão siderúrgico dos EUA. Utilizamos essa matéria-prima para produzir aço semiacabado, que depois é exportado de volta aos Estados Unidos, onde ele é finalizado.
Ao impor tarifas sobre esse aço, os EUA acabam encarecendo a própria cadeia produtiva.
