O CEO da Strategy (antiga MicroStrategy), Michael Saylor, enfrenta uma pressão intensa devido à forte queda do Bitcoin desde o final de 2025, após a criptomoeda atingir seu recorde histórico de US$ 126.272 em outubro de 2025, impulsionada pelo ciclo pós-halving e pela adoção institucional via ETFs nos EUA.

Hoje, o Bitcoin negocia em torno de US$ 66.118,23, abaixo do preço médio de compra da empresa, que é de aproximadamente US$ 66 mil por unidade.
Fonte: Coin Desk Presidente Executivo de Estratégia Michael Saylor (modificado)
A Strategy é atualmente a maior empresa pública detentora de Bitcoin em tesouraria corporativa do mundo, detém cerca de 717 mil Bitcoins, equivalendo a 3,4% do suprimento total existente, o que gera prejuízo não realizado significativo na baixa atual. A empresa carrega uma dívida de US$ 8,2 bilhões, considerada um risco não precificado pelo mercado em cenários adversos.
Apesar do Bitcoin acumular uma queda de 49% no último ano e o mercado enfrentar um “inverno” de liquidez, Michael Saylor mantém sua marcha de acumulação. Em sua mais recente movimentação em fevereiro de 2026, a Strategy Inc. realizou sua 100ª compra histórica, adquirindo mais 591 BTC por aproximadamente US$ 40 milhões.
Mesmo sendo sua menor aquisição no ano, o aporte elevou o tesouro total da companhia para o patamar recorde de 717.722 bitcoins, exatamente.
Anualmente, paga cerca de US$ 779 milhões em juros e dividendos, enquanto sua atividade principal de software gera apenas US$ 460 milhões em receita, criando um déficit que exige captações constantes.
Strategy Inc.: Líder em dados e maior holder corporativo de BTC
A Strategy Inc. (anteriormente MicroStrategy) consolida sua posição no mercado através de uma robusta divisão de software especializada em business intelligence (BI), analytics e mobilidade empresarial.
A companhia desenvolve plataformas avançadas que capacitam organizações a processar e interpretar vastos volumes de dados, transformando informações brutas em insights estratégicos, relatórios de alta complexidade e soluções móveis voltadas para o ambiente corporativo.
Apesar de sua forte presença no mercado de ativos digitais, a operação de software permanece como um pilar fundamental da empresa, gerando uma receita anual aproximada de US$ 477 milhões em 2025.
Esse desempenho reflete um crescimento sustentado em relação aos anos anteriores e reafirma a relevância de sua tecnologia no setor de tecnologia. Listada na NASDAQ sob o ticker MSTR (e variações como STRK e STRF). No entanto, não é uma ação muito relevante no sentido tradicional de volume ou estabilidade corporativa.
Entre a queda do Bitcoin e o rebaixamento de rating
O cenário para a Strategy Inc. tornou-se desafiador com a pressão negativa sobre o Bitcoin, seu principal ativo de tesouraria. Recentemente, a agência S&P rebaixou a nota de crédito da empresa para B-, classificando-a no chamado “grau especulativo” (junk bond).

Na prática, esse rebaixamento sinaliza que a companhia possui uma vulnerabilidade significativa a condições econômicas adversas e um alto risco especulativo de não honrar suas obrigações financeiras no longo prazo, embora ainda consiga cumprir seus compromissos imediatos.
Diante desse quadro, Michael Saylor e a diretoria da empresa enfrentam duas alternativas complexas para manter a sustentabilidade do negócio.
Essa estrutura agressiva de “Bitcoin treasury” expõe a companhia à alta volatilidade, forçando opções difíceis como diluição via follow-on ou resistência a vendas forçadas de BTC.
A primeira seria a venda de parte das reservas de Bitcoin, mesmo com os preços em baixa, o que obrigaria a empresa a realizar um prejuízo real no balanço.
A segunda opção é a diluição de acionistas via follow-on, que consiste na emissão de novas ações para captar investimento no mercado. Embora essa medida injete caixa sem vender as criptomoedas, ela reduz automaticamente a participação e o poder de voto dos acionistas atuais, testando a confiança do mercado na estratégia de longo prazo da companhia.
O jogo das baleias: O Bitcoin não caiu, apenas mudou de mãos
Muitos “baleias” (whales) — holders antigos que compraram BTC por valores baixos (como US$ 10, US$ 100 ou até menos em 2010-2013) — acumularam fortunas enormes e, em ciclos de alta (especialmente após bater US$ 100k em 2024), começaram a vender para realizar lucros após 10-15 anos de espera.
Para sair sem derrubar o preço drasticamente (o que destruiria parte do valor que querem capturar), eles precisam de compradores institucionais com alta capacidade de absorção — ou seja, liquidez de saída massiva.
Os ETFs de Bitcoin spot (como o IBIT da BlackRock) exatamente fornecem isso: quando investidores institucionais ou de varejo compram cotas dos ETFs, os emissores criam novas cotas comprando BTC no mercado ou via in-kind (trocando diretamente Bitcoin (o ativo subjacente) por cotas do ETF, em vez de usar dinheiro em espécie (cash)), absorvendo oferta grande sem pânico.
Cada bilhão de dólares que entra em ETFs (ex.: BlackRock comprando) frequentemente corresponde a baleias antigas descarregando via exchanges ou OTC, transferindo BTC para custódia regulada.
Em 2025, vimos ondas de “whale awakening” (movimentações de wallets dormentes de 10+ anos), com vendas bilionárias sendo parcialmente balanceadas por demanda de ETFs — o que ajudou a segurar ou até subir o preço em algumas fases.
Não é 100% direto (alguns vão para empresas como a Strategy/MicroStrategy ou outros holders), mas os ETFs viraram o principal canal de exit liquidity para esses early adopters, redistribuindo BTC de mãos antigas para institucionais e novos investidores.

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O IBIT (iShares Bitcoin Trust ETF) da BlackRock continua sendo o maior ETF de Bitcoin spot do mercado em fevereiro de 2026, em torno de US$ 48-56 bilhões, supera com folga os concorrentes, como FBTC da Fidelity (~US$ 12-18B) e GBTC da Grayscale (~US$ 10-12B), representando a maior parte dos ativos totais dos spot Bitcoin ETFs nos EUA (~US$ 80-85B no agregado).
O limbo estrutural do Bitcoin
Historicamente, desde a pandemia, o Bitcoin e a Nasdaq caminhavam lado a lado, mantendo uma correlação de 0,7 — um patamar próximo da perfeição para ativos de risco. No entanto, no fim de 2025, essa métrica inverteu-se para -0,4, criando um cenário de “limbo estrutural”: enquanto a Nasdaq batia recordes de negociação, o Bitcoin derretia.
Para muitos analistas, o ativo perdeu seu fundamento, falhando em se consolidar tanto como reserva de valor quanto como ativo de risco pareado à tecnologia.
Nem mesmo a entrada de gigantes institucionais como Goldman Sachs e Jane Street foi capaz de estabilizar o preço; pelo contrário, o que se observa é uma migração gradual de capital institucional saindo do Bitcoin em direção a outras criptomoedas (altcoins), em busca de novas oportunidades e teses de investimento mais promissoras ou diversificadas.
A alavancagem como combustível
O fator que torna esse cenário ainda mais perigoso é a alavancagem extrema. O mercado de derivativos de cripto, com operações alavancadas em 10, 20 ou até 50 vezes, domina o volume de negociação. Nesse ambiente, o que começa como uma queda real de apenas 1% acaba se transformando em 50% de desvalorização, jogando o preço para baixo em um efeito cascata à medida que as posições são liquidadas.
O ouro brilha enquanto o Bitcoin derrete
A atual conjuntura revela uma ruptura drástica na tese do “ouro digital”. Nos últimos 12 meses, enquanto o ouro subiu 74%, o Bitcoin caiu 49%, evidenciando uma movimentação em direções opostas. O estresse do mercado corroeu a correlação entre os dois ativos, que agora atinge -0,3 (negativo). No momento, a tese de reserva de valor do criptoativo parece adormecida, incapaz de acompanhar o porto seguro tradicional em tempos de incerteza.
Leia aqui : O fim do Bitcoin? O que dizem os investidores Michael Burry e Michael Green.
A tese do “ouro digital” enfrenta a barreira do tempo: embora o Bitcoin busque esse status, ele possui apenas 17 anos de existência, uma fração irrelevante perto dos 5 mil anos de histórico de confiança que sustentam o ouro como reserva universal.
Diante desse cenário, analistas sugerem que a pergunta correta não é se o Bitcoin cairá mais, mas sim: para quem? Afinal, o capital não tem pátria e busca abrigo onde há segurança real. Enquanto o ouro reafirma sua dominância secular, o Bitcoin enfrenta um teste de sobrevivência em meio ao ceticismo institucional e à fuga de liquidez para ativos tangíveis.
No fim das contas, o mercado não é movido por ideologia, mas por fluxo de caixa e gestão de risco.




















