Lula cria tensão com declarações anti americanas colocando a relação diplomática com os EUA em crise.
Houve o anúncio do presidente americano sobre mais 50% de tarifas em produtos importados do Brasil, trazendo como justificativa temas políticos como a perseguição de Bolsonaro, logo depois, veio o agravante sobre questões comerciais ilegais investigadas pelos EUA.

As declarações
Diante das tensões, Lula continua o embate. Em uma entrevista ao Jornal da Record no dia 10 de julho, gravada no Palácio da Alvorada, Lula diz o seguinte:
“Se o que o Trump fez no Capitólio ele tivesse feito aqui no Brasil, ele estaria sendo processado como o [ex-presidente Jair] Bolsonaro e arriscado a ser preso, porque [Trump] feriu a democracia, feriu a Constituição.”
Essa declaração foi a faísca que falta para acender a crise diplomática após a não menos grave, devolutiva de Lula sobre as tarifas de 50% as importações americanas. Lula quer aplicar a lei de Reciprocidade Econômica, que, segundo consta na lei aprovada em abril/25, as tarifas recebidas seriam amplamente devolvidas na mesma proporção.

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Anúncio oficial de investigação
A investigação sobre práticas comerciais ilegais foi anunciada oficialmente em 15 de julho de 2025, pelo Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR), sob a Seção 301 do Trade Act de 1974.
Temas sob investigação dos EUA contra o Brasil conforme a carta do governo americano à Lula:
Big tech e censura: Ordens judiciais para remover conteúdo online são vistas como censura, limitação à operação dessas empresas americanas.
Corrupção e Lava Jato: Anulação de condenações da Lava Jato, sob o juiz Sergio Moro, por motivo de foro, local do julgamento (falta de autoridade de Curitiba para julgar). Após anulações, casos foram transferidos pelo STF em Brasília, DF. Também, preocupações sobre impunidade e acordos com empresas como a Petrobrás.
Desmatamento ilegal: A falha em coibir desmatamento é vista como prática comercial desleal.
Etanol: Tarifa de 18% sobre etanol americano, inexistente até 2018, é questionada.
PIX e pagamentos eletrônicos: O PIX do Banco Central é acusado de limitar a concorrência, como na suspensão do serviço de pagamentos do WhatsApp em 2020 que oferecia um serviço igual ao pix e, foi proibido antes da implementação do pix brasileiro.
Propriedade intelectual: A falta de combate à pirataria (ex.: Rua 25 de Março) afeta marcas americanas.
Tarifas preferenciais: O Brasil oferece tarifas mais baixas a parceiros (ex.: Mercosul), prejudicando exportadores dos EUA.
Essa iniciativa pode justificar a manutenção ou aumento das tarifas, previstas para serem implementadas em 1º de agosto.
O castigo do silêncio americano
O posicionamento do Presidente Lula até agora, foi contraproducente. Uma porção de comportamentos de Lula que não ajudam nas negociações.
Sua falta de prestígio diplomático, deixou o Itamaraty sem resposta, uma carta assinada por Lula e pelo chanceler Mauro Vieira em 15 de julho, foi entregue ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutner, não obteve retorno, assim como outras medidas oficiais.
O governo criou um comitê liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin para tratativas com empresários de setores prejudicados, sem resposta. Lula sinalizou que se as negociações não avançarem, aplicará a Lei de reciprocidade, 50% sobre produtos americanos. Lula, ainda, em um comentário chulo, disse que Trump estava com “ciúme do pix brasileiro”.
As falas do presidente fazem com que aumente as dificuldades em estabelecer relações com os EUA que não respondeu mais ao Brasil, diretamente.
Sanções secundárias
Trump na tentativa de frear Putin na guerra na Ucrânia, intensifica tarifas sobre países que têm negociações com a Rússia.
A Otan sancionará países alinhados à Rússia em 100% de tarifa sobre produtos importados pelos EUA sobre países como Brasil, Índia e China que importam petróleo e gás russo, em 50 dias, prazo dado por Washington para que Moscou entre em um acordo com Kiev de Zelensky.
Embora, o presidente americano tenha declarado que terá mais sanções a países que têm relações comerciais com a Rússia, o Brasil é visto como um país de embate de custo baixo, ou seja, Trump, segundo G1, quer, na verdade, usar o Brasil como exemplo para a Europa, querendo que o Brasil se comporte bem e sirva de modelo.
O Brasil possui relações comerciais consistentes e alinhamento político com Putin. Foi um dos maiores importadores de diesel da Rússia em 2023 e 2024. Além disso, houve uma visita recente do presidente Lula à Rússia, em maio passado, com o intuito de ampliar relações bilaterais, com mais foco em energia e tecnologia.
O país russo tem como principais compradores do seu petróleo de gás a China com $129 bilhões de dólares e o Brasil com $12 bilhões em 2024.
Todas as sanções aplicadas bilateralmente deixaria o comércio internacional inviável, muito embora o que o Brasil exporte para os EUA seja em torno de 2% do PIB, apenas. O Brasil é considerado comercialmente fechado em relação ao comércio com outro países.
Além disso, Trump fala da perseguição à família Bolsonaro, como se fosse uma verdadeira “caça às bruxas”.
‘Vai piorar antes de melhorar’
O brasilianista (conhecedor do Brasil), Brian Winter, diz que a crise pode se agravar caso Bolsonaro seja preso, disse ‘vai piorar antes de melhorar’, conforme matéria da BBC News Brasil em 21.07.
Acontecerá, segundo Winter publicou no X, nos próximos dias, novas sanções ao Brasil – como suspensão de serviços tecnológicos, processamento visa ou sanções OFAC, ou seja, haverá novas sanções, só ainda não se sabe quais, mas podem ser muito parecidas com as aplicadas à Colômbia em Janeiro.
Leia aqui : Lei de Reciprocidade: Lula quer devolver os 50% de tarifas.
Narrativa anti americana
A esperança de que as tarifas sejam suspensas é pequena. Como destaca Hélio Beltrão, o STF e Lula dificilmente cederão em questões como a regulação de redes sociais ou a Lava Jato, e a retórica antiamericana não deve mudar.
Enquanto isso, a crise pode beneficiar Lula eleitoralmente. Pesquisas recentes mostram que as tarifas de Trump aumentaram a aprovação de Lula, que atingiu 43% a 50% em julho de 2025.
A narrativa de defesa da soberania ressoa entre brasileiros, enquanto a estratégia de Bolsonaro, que busca apoio de Trump para sua anistia, é vista com ceticismo por eleitores não polarizados, mas o custo econômico para o Brasil, com possível aumento de preços e inflação, preocupa.
A solução depende de uma diplomacia que, até agora, não se concretizou. A retórica anti-EUA de Lula e o alinhamento com o BRICS afastam um acordo, e o silêncio americano sugere que o impasse persistirá.
