Sanções e inadimplência ameaçam o Banco do Brasil na bolsa

Como está o Banco do Brasil com a Lei Magnitsky e o aumento da inadimplência do agro, a carteira do Banco do Brasil com mais força.

O que está acontecendo com o BB?

O Banco do Brasil vem sendo a ação mais questionada na B3 ultimamente, depois da Magnitsky e acima de tudo a crescente inadimplência no agro em 2025.

A instituição estatal, uma das maiores do país, enfrenta um cenário de turbulências que vai desde rumores internacionais de sanções até um agravamento significativo no risco de crédito rural, impactando diretamente sua performance na bolsa e a confiança dos investidores.

Fonte: iStocks

Inadimplência no agronegócio: O calcanhar de Aquiles do BB

Se o episódio Magnitsky expôs vulnerabilidades regulatórias e diplomáticas, é a explosão da inadimplência no setor agropecuário que representa o maior risco financeiro para o banco em 2025. Tradicionalmente, o BB é o principal financiador do agronegócio brasileiro, com uma carteira de crédito rural que ultrapassa R$ 200 bilhões. 

No entanto, o índice de inadimplência nesse segmento saltou de 1,32% no segundo trimestre de 2024 para 3,49% em junho de 2025 – um aumento de mais de 164% em um ano. 

Analistas do Itaú BBA descrevem a situação como “deterioração contínua”, agravada por fatores como endividamento elevado dos produtores, juros altos (que chegam a 40% ao ano em alguns casos) e restrições ao crédito rural.

Fonte: Trading View

A presidente-executiva do BB, Tarciana Medeiros, admitiu em entrevista recente que a inadimplência permanece “resiliente” no terceiro trimestre, impulsionando um salto de 103,8% nas provisões para devedores duvidosos (PDD), o que corroeu os lucros do banco em 15% no período. 

Esse “buraco” foi tão significativo que o BB foi o único entre os cinco grandes bancos listados na B3 a registrar queda nos resultados do primeiro semestre, contrastando com o crescimento dos concorrentes como Itaú e Bradesco. 

No terceiro trimestre, o índice geral de inadimplência no agro subiu para 3,61% em instituições como o Banco do Nordeste (BNB), mas o BB carrega o peso maior devido à sua exposição.

A expectativa é de estabilização no quarto trimestre, graças a uma safra mais robusta e alívio nas taxas de juros, mas o dano já está feito: as ações do BBAS3 despencaram mais de 7% em uma única sessão em setembro, arrastando o Ibovespa para baixo e reduzindo o peso da empresa na carteira teórica da B3 para menos de 2%. 

Nos primeiros meses de 2025, as ações derreteram e isso foi atribuído à inadimplência rural e à escalada da Selic.

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O caso Magnitsky

Tudo começou com as sanções impostas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sob a Lei Magnitsky, que visa punir violações de direitos humanos e corrupção.

Em julho de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa foram alvos diretos dessas medidas, o que gerou um terremoto no sistema financeiro brasileiro. O governo americano questionou cinco grandes bancos brasileiros, incluindo o Banco do Brasil, sobre como eles estão lidando com contas e transações ligadas a indivíduos sancionados.

Especificamente, o BB foi colocado no centro das atenções por manter contas ativas de Moraes, sem bloquear cartões ou cortar laços, ao contrário do que ocorreu em alguns bancos privados.

A posição do Banco

Em resposta, o banco emitiu comunicados oficiais afirmando que cumpre rigorosamente as leis em todas as geografias onde opera, dentro e fora do Brasil, e seu vice-presidente, Fausto Ribeiro, reforçou isso em um evento em Nova York no final de setembro: “Rumores têm circulado, mas estamos em conformidade total”.

O impacto foi imediato: o BB estuda planos de contingência para uma possível escalada de sanções, que poderiam incluir multas ou restrições a clientes do banco. Além disso, uma onda de “publicações inverídicas e maliciosas” nas redes sociais acusou o banco de priorizar interesses políticos sobre os acionistas, levando o BB a anunciar providências legais via Advocacia-Geral da União (AGU).

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Discussões no X (antigo Twitter) ecoam essa tensão, com usuários criticando a “má gestão” que estaria derretendo o valor de mercado do BB na B3, especialmente com o risco de retaliação americana.

Esses episódios não só alimentaram especulações, mas também contribuíram para uma alta no aluguel de ações do BBAS3 – indicador de apostas em queda –, que chegou a 98% do recorde histórico na B3, sinalizando pessimismo generalizado entre os investidores.

O Banco do Brasil ainda não sofreu sanções diretas no caso da Lei Magnitsky, embora haja forte risco no futuro próximo, já que a legislação norte-americana costuma cercar progressivamente quem é alvo.

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