Os preços dos alimentos subiram 31% desde 2019 e continuam altos. Nenhum fator isolado explica essa alta, trata-se de uma combinação de pressões econômicas e estruturais que afetam toda a cadeia alimentar. No entanto, fatores climáticos tem uma participação significativa no encarecimento.

É preciso considerar os custos de insumos necessários na operação, mão de obra e combustível aumentaram significativamente, impactando todas as etapas do sistema alimentar — da produção ao transporte. Esses fatores elevam o preço final ao consumidor.
Eventos climáticos extremos
Um estudo publicado na revista Environmental Research Letters destaca a correlação entre eventos climáticos extremos e picos nos preços dos alimentos na sequência.
Os aumentos de preços estão sendo sentidos imediatamente, porque os alimentos são para consumo mais rápido. Você pode armazenar alguns, pode congelar algumas frutas e vegetais, mas muitos são enviados frescos, e refletem esses impactos rapidamente devido à perecibilidade dos produtos.
O grupo analisou 16 eventos climáticos em todo o mundo entre 2022 e 2024. Muitos foram tão incomuns que uma determinada região não havia experimentado nada parecido antes de 2020, de acordo com a análise.
Esses eventos, intensificados pelas mudanças climáticas, impactam diretamente a produção agrícola, resultando em aumentos imediatos nos custos. O relatório aponta os preços dos alimentos como o segundo maior impacto das mudanças climáticas, atrás apenas do calor extremo.
A relação entre clima e produção de alimentos é histórica, mas efeitos climáticos extremos, como secas, enchentes, furacões e geadas atípicas afetam as plantações, prejudicando o rendimento das colheitas. Impactos particularmente graves para consumidores de baixa renda, que destinam uma proporção maior de sua renda à alimentação.

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Demanda por carne bovina e o El Niño
O aumento dos preços dos alimentos foi uma preocupação significativa nas eleições de 2024 nos EUA. Apesar da inflação, temores de recessão e a pior escassez de gado nos EUA em mais de 70 anos. Embora a demanda por carne bovina continua robusta, atingindo o maior nível em pelo menos 20 anos.
O preço médio de varejo de um quilo de carne moída 100% bovina alcançou mais de 8% em 2025, atingindo US$ 9,26 por libra em julho, o valor mais alto desde 1984, segundo o Bureau of Labor Statistics.
O estudo citado na TIME aponta o Reino Unido, onde chuvas intensas elevaram os preços da batata em mais de 22%, e Gana e Costa do Marfim, onde temperaturas recordes em fevereiro de 2024 causaram um aumento de 300% nos preços globais do cacau. Culturas concentradas em poucas regiões, como o cacau, sofrem aumentos de preços mais intensos devido à falta de “suavização espacial”, ao contrário de culturas amplamente distribuídas, como o milho.
Carne no Brasil
Esse é um fenômeno que também é sentido no Brasil que é o “celeiro” do mundo. O aumento do preço da carne bovina no Brasil em 2024, que atingiu 20,84% segundo o IPCA, está relacionado a estiagem e as ondas de calor, reduzindo a qualidade das pastagens e impactando a oferta de gado.
A seca severa, especialmente no segundo semestre de 2024, agravou a entressafra, limitando a disponibilidade de animais para abate, enquanto a alta do dólar incentivou exportações recordes de 2,4 milhões de toneladas de carne bovina.
As frutas brasileiras tem tido um aumento substancial, segundo os dados, o abacate é uma das frutas que lideram a lista de aumentos, ficando 68,77%, logo atrás, vem a tangerina e a laranja lima.
O café teve forte elevação de preços, por ter tido um aumento de 50% no mesmo período.
Preços pós tarifas
As exportações de carne bovina para os EUA caíram devido a tarifas, o que pode aumentar a oferta interna e potencialmente reduzir os preços, conforme a Forbes Brasil.
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As falas anti americanas do governo Lula agravam as negociações que são com os EUA, mas esbarram em todos os demais países acordados. Promove um nacionalismo que prejudica o povo brasileiro.
Alta contínua
Eventos climáticos extremos, surtos de doenças e problemas logísticos têm fragilizado a cadeia de suprimentos global, reduzindo a produção de alimentos essenciais e elevando preços, agravados por novas tarifas impostas pelo governo Trump sobre importações de parceiros comerciais tradicionais, o que intensifica a inflação.
Enquanto algumas empresas do setor buscam manter ou aumentar lucros, contribuindo para a rigidez dos preços, o impacto no consumidor é desigual, variando por produto, mas com uma tendência geral de alta contínua e generalizada.
Liderado por Maximilian Kotz, do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam, o estudo observa que o El Niño de 2023/24 amplificou muitos dos eventos climáticos extremos recentes.
A pesquisa ressalta que a maior intensidade e frequência desses eventos estão alinhadas com os efeitos esperados das mudanças climáticas, reforçando a necessidade de medidas para mitigar seus impactos na agricultura e na economia.
