O impacto da queda de Maduro sobre o petróleo

O ano de 2026 iniciou com um evento geopolítico de magnitude global: a intervenção dos EUA e a queda de Nicolás Maduro na madrugada de 3 de janeiro, colocando em foco o futuro das maiores reservas de petróleo do planeta.

Embora a Venezuela possua 303 bilhões de barris em reservas provadas. Isso é o maior “tanque” do mundo, representando cerca de 17% de todo o petróleo do planeta, reconhecido pela OPEP. Enquanto a reserva do Brasil soma 16,84 bilhões em 2024.

Fonte: Gemini IA

A queda de Nicolás Maduro revela o estado de obsolescência da infraestrutura energética da Venezuela, o setor está sucateado e desprovido de investimentos significativos (capex) há décadas.

O colapso operacional sob o legado chavista

Historicamente, o país já foi um gigante do setor, atingindo um patamar de 3,7 milhões de barris por dia no passado e mantendo 3,3 milhões no início dos anos 2000, mas a gestão chavista e a falta de manutenção reduziram a capacidade operacional para apenas um terço desse volume.

Essa gestão chavista é uma ideologia de caráter personalista. O chavismo se consolidou na Venezuela a partir das políticas e da imagem pública de Hugo Chávez, que governou por 14 anos (1999–2013), e se transformou em uma doutrina que pauta a governança e a identidade social do país até então.

Em novembro de 2024, antes mesmo das tarifas e sanções mais severas aplicadas pelo governo americano, a produção já havia estagnado em 1,1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da oferta global.

Esse declínio acentuado explica por que o impacto imediato no preço do barril é limitado: o mercado entende que a relevância da Venezuela hoje reside no seu potencial de reserva (17% do mundo).

O potencial do petróleo venezuelano

O cenário de janeiro de 2026 apresenta uma dualidade:

No curto prazo, nos próximos 12 meses, a queda de Maduro gera uma forte pressão geopolítica devido ao bloqueio naval e às restrições de exportação no Caribe impostas pelos EUA desde dezembro, o que, teoricamente, reduziria a oferta e elevaria os preços. Países como Rússia e China compram e refinam o petróleo venezuelano.

No entanto, o impacto no mercado de petróleo nos próximos 12 meses é considerado limitado, com uma estimativa de incremento na oferta de apenas 300 mil barris por dia, o que é insuficiente para abalar um mercado global que produz atualmente 109 milhões de barris por dia.

Contudo, como o mercado global está atualmente sobreofertado e a produção venezuelana representa menos de 1% do comércio mundial, o barril de petróleo permanece estável na casa dos 60 dólares, sem muita volatilidade.

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Já no médio e longo prazo, a partir de 36 meses, a expectativa inverte para um potencial aumento da oferta, a abertura do país possibilita que gigantes como a americana Chevron e a saudita Aramco realizem investimentos bilionários, além da Exxon Mobil, que já opera nas Guianas para recuperar a infraestrutura sucateada da PDVSA.

A perspectiva para os próximos 36 meses é muito mais robusta: com a entrada de novos investimentos e a estabilização institucional, a Venezuela tem potencial para atingir 1,5 milhão de barris por dia, recuperando o patamar de uma década atrás, como apontam análises do setor de petróleo e gás da XP Research.

O mercado precifica agora não a produção atual, mas a capacidade da Venezuela de voltar a ser um player relevante no médio prazo sob influência direta das potências ocidentais.

Assim, o impacto real da queda do regime não é medido pelo estoque atual, mas sim pela futura reintegração da Venezuela como uma potência exportadora capaz de inundar o mercado com seus 300 bilhões de barris de reserva.

O que Trump quer da Venezuela?

A queda de Maduro é a peça fundamental na execução do plano econômico de Scott Bessent, secretário do Tesouro do governo de Donald Trump, para o projeto Make America Great Again (MAGA).

O plano de Bessent utiliza a retomada das reservas venezuelanas como uma arma contra a inflação interna: ao colocar o petróleo da Venezuela sob influência direta de Washington, ele visa inundar o mercado global para derrubar o preço do barril, reduzindo drasticamente o custo de energia e vida nos Estados Unidos.

Sob essa agenda, a Venezuela deixa de ser um adversário ideológico para se tornar o principal ativo estratégico de Bessent para garantir a autossuficiência energética americana, expulsar a influência da China na América Latina e consolidar o domínio absoluto do dólar em todo o hemisfério.

Leia aqui : Nicolás Maduro caiu. E o regime também?

Os três pilares do que Washington realmente busca:

1. O “reembolso” e o lucro das empresas

Donald Trump foi direto em seus pronunciamentos pós-invasão: ele quer que o petróleo venezuelano pague pela operação militar e pelos “danos” causados pelo regime chavista aos EUA. O plano é que empresas americanas assumam a gestão direta dos campos, reconstruam a infraestrutura “apodrecida” com bilhões de dólares e sejam reembolsadas com a própria venda do óleo.

Para Trump, isso é um negócio: “Estamos no negócio do petróleo e vamos fazer dinheiro para o país”.

2. Arma contra a China e a Rússia

Atualmente, cerca de 80% do petróleo venezuelano vai para a China como pagamento de dívidas bilionárias. Ao tomar o controle, os EUA cortam esse fornecimento subsidiado para Pequim. Agora, se a China quiser o óleo, terá que pagar o preço de mercado ditado por Washington.

Além disso, uma Venezuela produzindo à plena capacidade no futuro ajuda a manter os preços globais baixos, o que asfixia a economia russa, que depende do petróleo caro para financiar suas atividades.

3. Independência no ocidente

O objetivo é criar uma “fortaleza energética” nas Américas. Com o controle das maiores reservas do mundo, os EUA deixam de depender da volatilidade do Oriente Médio e da OPEP.

Eles passam a ter o poder de abrir ou fechar a “torneira” do petróleo para estabilizar a inflação global e garantir que a energia produzida no hemisfério ocidental beneficie primeiro os seus aliados, consolidando a influência americana sobre toda a América Latina (a chamada “Doutrina Donroe”).

Sob nova direção

A queda de Maduro marca o renascimento de uma postura intervencionista agressiva dos EUA sobre a América Latina, consolidando o que analistas chamam de Doutrina “Don-Roe”, que reafirma o continente como zona de influência exclusiva de Washington e afasta potências como China e Rússia.

Este movimento coloca regimes em Cuba e na Nicarágua sob pressão imediata de um “efeito dominó”, ao mesmo tempo em que gera tensões diplomáticas com o Brasil e outros países que defendem a soberania regional, fragmentando o continente entre líderes que celebram a intervenção e governos que temem o uso da força para o controle de recursos estratégicos.

Em suma, a Venezuela é vista apenas como o primeiro passo de uma estratégia maior para garantir a segurança energética e mineral americana em todo o hemisfério ocidental.

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