Os EUA tem demonstrado interesse na energia de Itaipu. Durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA em 20 de maio de 2025, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sugeriu que o excedente de energia da usina hidrelétrica de Itaipu, controlada pelo Paraguai, poderia ser usado para a indústria de inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos.
Ele destacou que o fim do acordo de décadas, que garante ao Brasil a compra do excedente de energia para o Paraguai, abre uma oportunidade para os EUA investirem em países com fornecimento de energia abundante, como o Paraguai.

Contexto do Tratado de Itaipu
O Tratado de Itaipu, assinado em 1973 por Brasil e Paraguai, regula a divisão igualitária da energia gerada pela usina binacional (50% para cada país). Como o Paraguai consome apenas cerca de 17% de sua cota, o excedente era vendido ao Brasil a um preço fixado.
O acordo que regia essa comercialização, o Anexo C, expirou em 2023, e as negociações para sua renovação estão em andamento. O Paraguai agora busca vender esse excedente no mercado livre, incluindo para outros países.
Impacto nas negociações Brasil-Paraguai
As negociações entre Brasil e Paraguai sobre o Anexo C, que definem como bases financeiras da tarifa de Itaipu, estão travadas desde abril de 2025, após denúncias de suposta espionagem pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra autoridades paraguaias.
Em 2024, os dois países firmaram um pré-acordo permitindo que o Paraguai venda seu excedente diretamente à indústria brasileira no mercado livre a partir de 2027, mas a entrada dos EUA muda o cenário, aumentando o poder de barganha do Paraguai.
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A Estratégia brasileira
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, visitou os EUA no início de maio de 2025 para atrair empresas de IA ao Brasil, destacando a abundância de energia limpa, incluindo a de Itaipu. No entanto, a sugestão de Rubio de instalar data centers de IA no Paraguai para usar o excedente de energia ameaça a estratégia brasileira, que depende do acesso garantido a essa energia para manter a competitividade.
A declaração de Rubio gerou apreensão no governo brasileiro, que teme perder prioridade no uso da energia de Itaipu.

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Demanda geopolítica
O secretário americano enfatizou que o avanço da IA exige grande quantidade de energia, e países com excedente energético, como o Paraguai têm uma posição estratégica na corrida tecnológica global.
Complementou alertando que a oferta global de energia é insuficiente para a demanda futura, criando oportunidades para nações com energia limpa e acessível.
A fala de que os EUA querem energia de Itaipu para IA, ameaça as negociações entre Brasil e Paraguai, com implicações geopolíticas, especialmente após pressão diplomática recente. O episódio ocorre poucos meses após atritos diplomáticos entre Brasil e Paraguai, onde ambos os países vêm demonstrando posturas mais assertivas na renegociação dos termos de Itaipu.
O Brasil busca manter sua segurança energética e tarifas favoráveis, enquanto o Paraguai exige maior remuneração e liberdade para vender sua parte da energia no mercado livre, inclusive para terceiros países.
Os atritos recentes também foram alimentados por declarações públicas e vazamentos na imprensa dos dois países, além de manifestações nacionalistas no Paraguai que acusam o Brasil de se beneficiar desproporcionalmente do tratado ao longo das décadas.
