As eleições no Chile realizadas neste fim de semana marcaram um novo capítulo na política latino-americana, observando uma retomada de agendas mais liberais e pró-mercado, com o Chile não sendo diferente.
Embora Jeannette tenha tido 26,85% dos votos e Kost 24%, a mensagem que fica é uma derrota não só da esquerda exatamente, até porque está no poder, mas de toda a ala conservadora, basicamente de centro – centro-esquerda e centro-direita, perdendo espaço para candidatos e partidos mais jovens e mais engajados com o eleitorado chileno.
Segundo Turno: Jeannette Jara x José Antonio Kast

O pleito de 16 de novembro definiu os dois nomes que disputarão o segundo turno em 14 de dezembro:
- Jeannette Jara, do Partido Comunista do Chile — representante da esquerda tradicional e apoiada por setores progressistas.
- José Antonio Kast, do Partido Republicano — identificado como ultradireita, defensor de um Estado mínimo e conhecido por suas posições firmes em temas de segurança e imigração.
Projeções para o segundo turno
O resultado reflete um país dividido e reforça a tendência de que nenhum campo político tem hegemonia clara no momento.
Kast entra no segundo turno com leve vantagem, chegando a cerca de 10 pontos à frente da candidata comunista Jeannette Jara nas pesquisas mais recentes.
Kast aparece com leve vantagem, segundo a pesquisa AtlasIntel, no segundo turno, variando entre 49% e 51% das intenções de voto. Já a candidata comunista oscila entre 39% e 49%, mantendo a disputa aberta apesar da diferença numérica.
Segurança: O tema central da eleição
Mesmo sendo um dos países mais seguros da América Latina e do Caribe, o tema da criminalidade dominou o debate público chileno. Kast explorou esse terreno com força:
- Defendeu políticas de tolerância zero;
- Criticou o suposto “relaxamento” dos últimos governos;
- Apresentou-se como o candidato da ordem e do combate frontal às gangues e ao narcotráfico.
A estratégia funcionou. Kast conseguiu transformar a segurança — um problema relativamente menor no Chile comparado a outros países vizinhos — no eixo emocional da campanha.
Jara, por outro lado, tentou equilibrar propostas sociais e de proteção econômica com medidas de segurança mais moderadas e baseadas em programas já existentes.
A eleição mais disputada desde 1990
Desde o retorno da democracia em 1990, o Chile não vivia uma eleição tão fragmentada.
Os principais candidatos concentraram entre 14% e 20% dos votos, sem que nenhum deles abrisse vantagem expressiva.
Essa dispersão deixa o segundo turno totalmente aberto. Surpresas são possíveis — e prováveis — no intervalo entre as votações.
Além disso, o primeiro turno mostrou que a direita, em suas várias vertentes, detém cerca de 50% do eleitorado, desde a centro-direita moderada até a direita libertária e a ultradireita representada por Kast.
Conflitos da campanha
Durante o processo eleitoral, a direita chilena viveu divisões internas:
- Kast atacou a centro-direita por ser “suave demais” e por não entregar resultados concretos em segurança e economia.
- A direita tradicional criticou o “radicalismo” de Kast, alegando que poderia alimentar polarização e instabilidade política.
- O setor libertário também provocou o republicano, dizendo que ele ainda mantinha traços “estatistas” em algumas propostas.
Essas disputas internas fragmentaram o voto e criaram um ambiente de tensão permanente entre aliados potenciais.
Um novo eixo político
Segundo o cientista político Pablo Ortúzar, existe hoje um novo divisor de águas na política chilena.
Não é mais o plebiscito de 1988 — que tirou o país da ditadura —, mas sim: “O processo político após os protestos sociais”, disse ele à BBC News Mundo.
Os protestos de 2019 redesenharam o mapa político chileno, trazendo pautas econômicas, sociais e identitárias para o centro da discussão.
A economia chilena atravessa um momento de desaceleração após anos de instabilidade política e conflitos sociais desde 2019, segundo a Bloomberg.
Os juros chilenos
O Banco Central do Chile (BCCh) mantém a taxa básica de juros em 4,75% desde setembro, em pausa nos cortes graças à inflação que recuou para 4% — segundo relatório da XP Research de 21 de outubro — e a XP projeta queda para 4,5% até o fim de 2025.
Altamente dependente das exportações, principalmente de cobre, minerais, salmão e vinho, o país ainda é considerado um dos mais promissores da América Latina em PIB per capita, de acordo com o Ipea, embora venha apresentando queda nos últimos anos.
Mesmo com o cenário desafiador, investidores estrangeiros ampliaram a compra de títulos do governo chileno, superando níveis observados em 2017 e colocando o Chile entre os emergentes mais procurados.

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Um país em transformação
A eleição chilena é mais do que uma disputa entre Jara e Kast. Ela é o retrato de uma América Latina em mudança, onde convive:
- a ascensão de agendas liberais e pró-mercado, reduzindo intervenção estatal;
- a persistência de forças de esquerda tradicionais em alguns países;
- um eleitor cansado de promessas vazias, insegurança e estagnação econômica.
O segundo turno no Chile será decisivo para entender qual direção o país escolherá — e que tipo de liderança os chilenos desejam para enfrentar os desafios da próxima década.
