A teoria do louco surgiu com Richard Nixon nos anos 70, que simulava instabilidade para intimidar inimigos durante a guerra fria. Trump levou essa estratégia ao extremo, usando-a não só contra rivais.
Trump revoluciona a diplomacia do alto risco

Donald Trump não joga xadrez—ele joga pôquer! Quem joga sabe como é.
Sua estratégia favorita? O blefe de alto risco. De ameaçar invadir a Groenlândia a ameaçar sair da OTAN, o presidente dos EUA transformou a imprevisibilidade em arte.
Há método nessa “loucura”?
Inspirada em Nixon, a tática sugere: “Se parecer imprevisível, o inimigo pensa duas vezes antes de te desafiar.” Trump levou isso a sério, não só contra seus oponentes como China e Rússia, mas até mesmo contra aliados, como foi o caso da conversa com Zelensky na Casa Branca, falou em cortar ajuda militar à Ucrânia, e realmente o fez por alguns dias.
Ou ainda, como o anúncio das tarifas sobre as exportações brasileiras que o governo americano ameaça taxar em 50% e que pegaram o Brasil de surpresa.

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A teoria na prática
Para funcionar, o blefe precisa ser crível. Donald mistura ameaças absurdas e não concretizáveis como “comprar” o Panamá, teria dito a assessores: “Deveríamos simplesmente comprar o Panamá” – supostamente irritado com as negociações do canal, aliada à ações reais como as tarifas bilionárias contra a União Européia.
Nixon usava a imprevisibilidade contra inimigos, Trump vai além, ameaçou abandonar a Europa em caso de haver um ataque de Putin, deixando até mesmo os parceiros receosos. A mensagem que ele quer passar – “Comigo, nada é garantido.”
O resultado foi a imprevisibilidade. Não se sabe quando ele está falando sério—e isso coloca todos em alerta e pressiona para que a proposta dele seja aceita.
Sanidade para ser louco
Cientistas políticos como Roseanne McManus debatem se os movimentos são cálculos frios ou impulsos genuínos. O fato é que, enquanto tentam decifrá-lo, Trump já mudou a estratégia.
Na política, na teoria do louco, antevê que um líder mundial vai tentar convencer os seus adversários de que ele é capaz de basicamente qualquer coisa e sem seguir as regras tradicionais da diplomacia.
Na reportagem da BBC News, explica que existe racionalidade por trás disso. Donald Trump faz questão de parecer imprevisível em seu governo.
Existe uma falsa narrativa de que a pessoa que usa a teoria do louco possivelmente é louca também. O James Boyz é um pesquisador e estuda a teoria do louco há cinco anos diz que o uso deliberado da teoria só é feito por quem tem lógica a sanidade e é capaz de dizer de modo coerente, como um jogador de poker, precisa conhecer a mesa e os adversários.
Difícil antecipar
Dissimular a loucura de modo deliberado para um adversário ou aliado no intuito de fechar um acordo ao qual ele se opõe.
Uma vantagem dessa estratégia, seria deixar todo mundo sem saber o que esperar na hora de negociar. Isso tornaria muito mais difícil planejar ou antever ações e reações.
A origem da Madman Theory
Durante a guerra fria, quando a disputa ideológica entre Estados Unidos e União Soviética mudou toda a geopolítica.
A “teoria do louco” (madman theory) é uma abordagem estratégica da teoria dos jogos, explorada por estudiosos como Thomas Schelling, laureado com o Nobel de Economia por suas análises sobre conflitos e cooperação.
No seu livro A Estratégia do Conflito, o autor argumenta que a imprevisibilidade deliberada pode ser uma ferramenta poderosa em negociações, especialmente em cenários tensos de confronto.
A ideia foi desenvolvida por por Daniel Ellsberg, um analista econômico e militar que, em 1959, proferiu uma palestra intitulada “O Uso Político da Loucura”.
Nela, Ellsberg sugeriu que Adolf Hitler utilizou sua reputação de comportamento inconsistente e imprevisível durante a 2ª Guerra para atingir seus objetivos em tomar terras e eliminar qualquer ameaça à raça ariana, intimidando adversários que temiam suas reações desproporcionais.
As ideias de Schelling e Ellsberg transcenderam o âmbito acadêmico e influenciaram a política externa dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, sob as presidências de Dwight Eisenhower e Richard Nixon.
Os EUA, nessa parte da história, enfrentavam conflitos com a União Soviética, a Coreia do Norte e o Vietnã. Nixon, no seu mandato de 1969-74, teria adotado a “teoria do louco” para projetar uma imagem de imprevisibilidade, sugerindo que poderia recorrer a medidas extremas, como o uso de armas nucleares, para pressionar adversários a recuar.
Essa estratégia, embora arriscada, buscava explorar a percepção de irracionalidade para obter vantagens diplomáticas, ilustrando como conceitos teóricos moldaram decisões práticas em um dos períodos mais voláteis da história moderna.
Outra façanha de Nixon
Nixon incentivou em espalhar o boato de que ele era “louco” – para forçar acordos, enquanto Trump aplicou táticas similares.
Mas a teoria tem regras, se o adversário percebe que as ameaças (blefe) não se concretizam, a estratégia perde eficácia.
Os riscos incluem a perda de credibilidade internacional e reações indesejadas, como o possível incentivo ao Irã acelerar seu programa nuclear após ataques americanos. A grande limitação da “teoria do louco” é que, sem ações reais por trás das ameaças, os adversários podem simplesmente ignorá-las.
