Neste post, vamos expor a opinião de dois grandes gestores, Michael Burry e Michael Green, sobre as críticas ao Bitcoin e a defesa de Fernando Ulrich a favor do ativo. Analisaremos o embate entre o pessimismo técnico de Wall Street — que prevê uma “espiral da morte” e falha funcional — contra a tese de soberania monetária e liberdade financeira.
Michael Burry, o renomado gestor da Scion Asset Management que imortalizou sua fama ao prever o colapso de 2008, inspirou o filme “A grande aposta”, lançou um alerta sombrio em entrevista à Bloomberg: o Bitcoin estaria entrando em uma “espiral da morte”, focando no risco de empresas que usam a criptomoeda como reserva de valor.

Fonte : Valor Econômico | O Investidor Michael Burry
O risco de liquidez da Stragery
Como é o caso da Strategy, empresa de software de Michael Saylor, que detém um estoque massivo, mais de 713.502 Bitcoins (conforme dados de fevereiro de 2026). Possui a maior tesourartia corporativa de criptomoedas do mundo em Bitcoins.
Burry alerta que, com o Bitcoin atingiu um fundo cotado a US$ 69 mil, e um preço médio de entrada (compra de Bitcoin) da empresa a US$ 76 mil, o prejuízo não realizado já supera os US$ 5 bilhões.
Segundo Burry, uma queda adicional de 10% poderia fechar as portas do mercado de capitais para a empresa, gerando um efeito dominó de insolvência.
Em contrapartida, Saylor mantém a calma, afirmando possuir um “colchão” bilionário e que chamadas de margem críticas só ocorreriam de 2028 em diante
O que colapsaria a Stategy seria o ativo despencar para US$ 25 mil e permancesse por lá por um longo período.
A Correlação com o S&P 500
Um dos pontos centrais da tese de queda é a incapacidade do Bitcoin de reagir como refúgio geopolítico frente às oscilações do dólar. Em 2025/2026, dados da Reuters, CME Group e Newhedge mostram que a correlação entre o Bitcoin e o S&P 500 atingiu níveis recordes, flutuando entre 0,5 e 0,6, com picos de até 0,88.
Isso significa que o Bitcoin perdeu seu status de ativo descorrelacionado (o “ouro digital”) e passou a se comportar como uma ação de tecnologia de alto risco.
Para Burry, “não há razões orgânicas para o Bitcoin subir”, uma vez que ele agora apenas amplifica os movimentos de estresse do mercado de ações tradicional, deixando de servir como uma ferramenta de diversificação real para os portfólios institucionais.
A Falácia do Bitcoin: A dura análise de Michael Green sobre o uso real da moeda
Michael Green argumenta que o Bitcoin fracassou em sua promessa original de ser uma moeda funcional, tornando-se um sistema de pagamentos ineficiente e raramente utilizado para transações reais no cotidiano.
Michael Green é o estrategista-chefe da Simplify Asset Management e ex-gestor de fundos de Peter Thiel e George Soros, conhecido por ser um dos críticos intelectuais mais técnicos e ferrenhos do Bitcoin em Wall Street.
Green complementa dizendo que Bitcoin é nascido no rastro da crise subprime de 2008 como uma resposta à desconfiança bancária, o ativo falhou em ganhar escala comercial; em vez disso, sua estrutura rígida impede a extensão essencial de crédito às famílias, elemento vital para o crescimento econômico moderno.
Para Green, uma moeda que não circula e não financia o consumo básico não cumpre o papel social de um meio de troca, servindo apenas como um veículo de especulação que drena a fluidez necessária ao sistema financeiro.

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Bitcoin tem o sistema contrário ao atual
A crítica de Green se estende à natureza finita do Bitcoin, alertando que uma quantidade fixa de moeda – 21 milhões de Bitcoins – é uma “receita para a desigualdade” e a paralisia bancária.
Ao contrário do sistema fiat (o atual sistema bancário baseado em moedas sem lastro e emissão livre de dinheiro por governos – o Quantitative Easing (QE), que permite ajustes conforme a demanda da economia.
O fornecimento limitado do Bitcoin compromete a agilidade dos bancos em prover liquidez, favorecendo o acúmulo nas mãos de poucos (os “hodlers” da primeira hora) em detrimento da maioria.
Segundo o estrategista, ao remover a capacidade de expansão monetária, o Bitcoin retira a ferramenta que permite ao sistema financeiro reagir a crises, criando um modelo econômico estático que, longe de democratizar a riqueza.
Bitcoin: A revolução da soberania monetária e o novo ouro digital
Em defesa no seu canal, Fernando Ulrich, refuta as acusações e defendendo o Bitcoin como uma moeda nova e precisa de mais tempo para se estabelecer, não deve ser julgado apenas como um aplicativo de pagamentos de varejo, mas sim como um sistema monetário paralelo e disruptivo que cumpre com maestria sua promessa original: ser um dinheiro eletrônico peer-to-peer totalmente descentralizado.
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Operando há apenas quase 17 anos sem interrupções ou autoridade central, o Bitcoin é um sucesso retumbante por permitir a custódia e a transferência de valor sem depender de intermediários financeiros.
Ulrich argumenta que a baixa adesão atual no comércio não é um fracasso, mas uma etapa natural de um sistema subversivo que desafia o monopólio das moedas fiat e o sistema bancário tradicional.
Um colapso global é provável?
Apesar do cenário turbulento e de uma queda de 40% batendo o fundo de US$ 61 mil em fevereiro de 2026, desde o pico de novembro de 2025 que chegou a US$ 126 mil, Burry conclui que um eventual colapso do Bitcoin dificilmente causaria uma crise financeira mundial.
O Bitcoin tem um valor de mercado de US$ 1,5 trilhão, a exposição das famílias e das empresas ainda é considerada limitada — apenas cerca de 200 empresas americanas mantêm o ativo em caixa.
Embora a aprovação de ETFs pela SEC tenha encorpado o mercado especulativo, a “pegada” das criptomoedas no sistema financeiro global ainda é pequena comparada ao mercado de capitais tradicional.
O “fator riqueza” permanece reprimido, sugerindo que, embora a queda machuque investidores específicos como Saylor, o sistema sistêmico global possui barreiras de contenção suficientes.
Fontes Consultadas: Bloomberg (entrevista com Michael Burry), Relatórios de Tesouraria MicroStrategy 2026, Dados de Correlação CME Group/Reuters, Análises Scion Asset Management via Substack.