Por que Kevin Warsh? A cartada de Trump que valoriza o dólar e os treasuries

A nomeação de Kevin Warsh como chairman do Federal Reserve por Donald Trump, anunciada em 30 de janeiro de 2026, veio como uma grande surpresa para o mercado.

Fonte : Agencia Xinhua

O contrassenso do mercado

O plano parece estar em linha com as iniciativas de Trump de manter a hegemonia americana. Especialmente no que diz respeito à dominação do dólar como moeda de reserva global e à preservação da credibilidade econômica dos EUA.

O criador do plano – o Acordo de Mar-a-Lago de Trump – o mentor Scott Bessent (Secretário do Tesouro de Trump) não defende abertamente desvalorizar o dólar como política oficial. O governo mantém discurso de “strong dollar policy” (política de dólar forte), mas Trump já celebrou quedas do dólar por ajudar exportações e reduzir o déficit comercial.

A nomeação de Kevin Warsh, um ex-governador do Fed com perfil historicamente hawkish (mais austero e focado em combater inflação), realmente carrega uma ironia em relação à pressão que Trump vinha impondo publicamente por cortes agressivos de juros.

A dívida nacional americana está em torno de US$ 38 trilhões, equivalente a cerca de 124% do PIB. O crescimento continua acelerado, com aumento médio de US$ 1 bilhão por dia.

Surpresa no mercado e jogada de Trump

O mercado esperava um nome mais alinhado a cortes agressivos de juros e subserviente a Trump.

Ao escolher Warsh (anti-excessos monetários e focado em controle de inflação), Trump surpreendeu novamente, indicando que quer um Fed mais independente e menos complacente com desmandos fiscais.

Trump nomeou Kevin Warsh como chairman do Federal Reserve (para substituir Powell em maio de 2026, sujeito à confirmação no Senado). A escolha surpreendeu o mercado, que esperava alguém mais complacente com cortes de juros, como o head de Renda Fixa Global da BlackRock.

Quem é Kevin Warsh?

Warsh é ex-governador do Fed (2006–2011), economista e jurista, com fama de linha dura contra inflação. Ele é crítico ferrenho da impressão excessiva de dinheiro e dos sucessivos programas de quantitative easing (QE), que considera causadores de distorções, bolhas e desigualdade.

Apoiou a expansão emergencial do balanço do Fed em 2008 (de US$ 1T para US$ 2T no QE1), mas se opôs ao QE2 em 2010 (US$ 600 bi), dizendo que a crise tinha acabado e que a expansão não devia virar permanente; renunciou 4 meses depois.

Defende que a Inteligência Artificial pode gerar um aumento de produtividade sem precedentes, atuando como uma força desinflacionária poderosa que ajuda a controlar a inflação, mesmo com crescimento econômico acelerado.

Missão :  reduzir agressivamente o balanço (QT forte), priorizar estabilidade de preços e restaurar disciplina monetária.

Queda nas commodities

Na jogada estratégica de Trump, a indicação de Warsh, no dia seguinte, provocou uma queda acentuada nos preços do ouro, prata e outras commodities metálicas, revertendo uma rally histórica impulsionada por temores de debasement monetário (desvalorização da moeda) e dólar fraco.

O ouro despencou 11%, fechando em torno de US$ 4.745-4.886 por onça após atingir picos acima de US$ 5.500-5.600, enquanto a prata sofreu uma derrocada ainda mais dramática, caindo 30-35% em um único dia (seu pior desde 1980), de máximas próximas a US$ 120 para níveis em torno de US$ 78-80 por onça.

Essa reversão foi atribuída à redução de preocupações com uma Fed excessivamente expansionista, levando investidores a realizarem lucros e abandonarem posições em metais preciosos como hedge contra inflação e instabilidade.

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A cartada de Trump que valoriza o dólar e as treasures

O que se valorizou em meio a essa turbulência? Principalmente o dólar!
Com a maior credibilidade conferida pelas falas de Warsh e pelas tendências de uma gestão mais rigorosa no Fed, o dólar voltou a ser atraente para investidores globais, não apenas como moeda de câmbio, mas como ativo de reserva confiável.

O fortalecimento do DXY, que ganhou tração nos dias seguintes à nomeação, sinaliza uma reversão na narrativa de enfraquecimento intencional, tornando o dólar mais resiliente frente a pressões fiscais e comerciais.

Analistas apontam que essa dinâmica pode persistir, especialmente se Warsh priorizar a redução do balanço patrimonial do Fed, o que tipicamente apoia a moeda.

A nomeação de Kevin Warsh como chairman do Federal Reserve trouxe uma maior credibilidade ao banco central americano, ao sinalizar um perfil não expansionista — ou seja, alguém avesso à impressão excessiva de dinheiro, ao quantitative easing desenfreado e a políticas monetárias muito frouxas por longos períodos.

Isso restaura confiança nos investidores globais de que o Fed manterá disciplina fiscal e controle rigoroso da inflação, reduzindo o risco percebido de debasement do dólar – (desvalorização) ou de crises futuras causadas por dívida insustentável.

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Com um chairman independente, os Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) ganharam ainda mais status de ativo livre de risco — considerado o mais seguro do mundo, soberano e respaldado pela maior economia global —, abrindo espaço para um apetite renovado por esses papéis.

Investidores, fugindo de volatilidades em commodities, ações e moedas emergentes, aumentaram a demanda por Treasuries, o que fez os preços subirem e os yields (rendimentos) caírem.

O que é positivo: o preço dos títulos sobe, gerando ganho de capital, e eles servem como proteção contra perdas em outras partes da carteira.

Em resumo, a escolha de Warsh transformou os Treasuries em um refúgio ainda mais atraente.

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