Super Quarta: Última do ano e os rumos monetários

A “Super Quarta” de dezembro de 2025 consolidou uma notável divergência na condução da política monetária global. 

Enquanto o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) dos Estados Unidos sinalizou uma postura mais flexível, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil manteve o rigor.

Fonte: Ulme

Essa disparidade reflete as diferentes prioridades e os desafios fiscais enfrentados por cada economia.

Fed: Início do ciclo de flexibilização

Nos Estados Unidos, o FOMC decidiu por um corte de 25 basis points (0,25 p.p.) na taxa básica de juros, estabelecendo o novo intervalo alvo entre 3,50% e 3,75% ao ano. Essa decisão marca o provável início do ciclo de flexibilização monetária do Federal Reserve. 

O movimento é sustentado pela avaliação de que a inflação, embora ainda acima da meta de 2%, está em trajetória de queda consistente, permitindo ao Fed resfriar a economia de forma mais branda.

A queda gradual e sustentável da inflação para o patamar atual de 3,2% ao ano foi o fator primário que deu confiança ao FED para começar o ciclo de cortes.

O investimento em IA

O dinamismo da economia americana, que tem evitado a recessão apesar dos juros altos, é creditado por analistas ao investimento massivo e contínuo em Inteligência Artificial (IA). 

Gigantes de tecnologia, como a Alphabet (Google), a Nvidia e a OpenAI, injetaram trilhões em pesquisa, infraestrutura e desenvolvimento de chips especializados (TPUs/GPUs). 

Essa onda de capital e inovação não só impulsiona a produtividade de diversos setores, mas também gera uma demanda agregada robusta que tem funcionado como um amortecedor contra o aperto monetário, impedindo que a recessão, prevista por muitos, se manifeste plenamente.

Apesar de inúmeros indicadores historicamente preditivos — como a curva de juros invertida dos Treasuries de 10 anos — terem sinalizado insistentemente a proximidade de uma crise econômica nos EUA, essa recessão ainda não se materializou. 

Copom: Juros mantidos 

Em contraste, o Copom, liderado pelo Presidente Gabriel Galípolo e pelo colegiado, optou por manter a taxa Selic em 15% ao ano

Essa decisão, já antecipada em reuniões prévias com researchs e analistas de mercado, reforça a postura de cautela extrema do Banco Central brasileiro. 

A manutenção da taxa em um patamar altíssimo visa consolidar a desinflação e ancorar as expectativas.

O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de fato defendeu publicamente a política monetária rigorosa adotada durante sua gestão e a de seu sucessor, Gabriel Galípolo.

Em diversas ocasiões, Campos Neto afirmou que, dadas as pressões inflacionárias persistentes e o cenário fiscal desafiador do Brasil, ele “não teria feito nada diferente” em relação à manutenção dos juros em patamares elevados.

Leia aqui : Selic em 15%: por que os juros altos ainda não derrubaram a inflação?

Inflação brasileira e o risco riscal

Apesar da taxa de juros elevada ter cumprido seu papel de frear o consumo e a inflação — que saiu de patamares próximos a 6% no início de 2025 para 4,46% (dado revisado em dezembro de 2025 referente a novembro) —, o Copom demonstrou preocupação com o Risco Fiscal. 

O aumento expressivo dos gastos governamentais (o “fiscal”) é o principal fator que impede cortes mais agressivos. 

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A política monetária precisa ser mantida em nível restritivo para compensar a pressão inflacionária gerada pela expansão fiscal, conforme explicitado pelo Banco Central.

A Política Fiscal é a ferramenta governamental que utiliza as receitas (tributos) e as despesas (gastos públicos) para atuar na economia. Seu objetivo primário é influenciar e estabilizar o crescimento econômico do país, auxiliando no controle de variáveis como o emprego e a inflação.

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